Centro-Sul - Feijão e Milho

Centro Sul Feijão e Milho

 

Centro Sul Feijão e Milho

 

Contextualização

O Feijão e o Milho têm grande importância socioeconômica no Brasil. Setenta por cento dos brasileiros consomem feijão diariamente, atingindo um consumo médio por pessoa de 15,3 quilos por ano deste grão, que é o símbolo da culinária brasileira.

De acordo com a FAO, a produção média mundial de feijão no período de 2013 a 2017 foi de 27,9 milhões de toneladas. Mianmar, Índia, Brasil e EUA foram responsáveis por 52% do total produzido no período. Originário da América Central, o feijão é a principal leguminosa comestível em todo o mundo e cultivado por pequenos e grandes produtores em praticamente todos os Estados da Federação. Na safra 2018/19, conforme dados da CONAB, a produção nacional de feijão foi de 3,0 milhões de toneladas. O Estado do Paraná liderou a produção com 20,3% do total produzido, seguido por Minas Gerais (17,9%), Mato Grosso (11,5%), Goiás (10,1%), Bahia (8,5%) e São Paulo (6,6%).

O milho, uma das culturas mais antigas e o cereal mais produzido no mundo e se caracteriza pelas diversas formas utilização, indo do consumo humano e animal até a indústria de alta tecnologia. O Brasil ocupa a 3ª posição na produção mundial e o Paraná foi 2º no Brasil com 16,7% da safra nacional 2018/19, após o Estado do Mato Grosso que deteve 31,3%.

O IDR Paraná (Anteriormente Emater e iapar) historicamente dispõe de uma estrutura técnica especializada atuando em todas as regiões do estado nestas culturas, com destaque para o Projeto Centro-Sul de Feijão e Milho desenvolvido em parceria entre a assistência técnica, pesquisa, empresas do setor, prefeituras municipais, agricultores, entre outros. O Projeto tem gerado novas tecnologias, promovendo a elevação da produtividade, melhoria da renda das famílias rurais, preservação do meio ambiente e segurança alimentar. 

Os cultivos de feijão e milho são tradicionais na agricultura familiar da região sul do Paraná, compondo a renda com outras atividades nas propriedades rurais.

Fontes: PA; SEAB/DERAL-PR; EMBRAPA; CONAB.ltados de 04 safras de monitoramento de pragas na cultura do feijão do subprojeto MIP-Feijão (Manejo Integrado de Pragas do Feijão).

 
Justificativa

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná IAPAR – EMATER (IDR Parana) ao longo de sua existência, anteriormente através das instituições formadoras originais (Emater. Iapar, Codapar e CPRA), atende e assiste produtores de feijão e milho, entre outros, sempre acompanhando a evolução das explorações e o processo de crescimento desses produtores. Apesar do rendimento das culturas ter melhorado nos últimos anos, ainda há vários desafios e problemas a superar. As tecnologias evoluem constantemente e a aproximação entre os geradores do conhecimento, assistência técnica e o setor produtivo é fundamental, para a melhoria de produtividade e renda das famílias, mas com ações sustentáveis de promoção e uso de boas práticas agrícolas que possam contribuir para a preservação ambiental e a segurança alimentar e dos trabalhadores.

Trabalhos de campo realizados na parceria do Instituto EMATER, SYNGENTA, IAPAR, EMBRAPA e Prefeituras Municipais, entre outros, têm alcançado produtividades superiores a 3,5 mil kg/ha na cultura do feijão e 10 mil kg/ha na cultura do milho, mostrando um grande potencial possível de ser conquistado pelos agricultores.

 
Objetivos

Geral

  • O projeto trata da profissionalização de agricultores na produção de feijão e milho numa visão de desenvolvimento, em que, por meio do aumento da produtividade, produção, renda e uso de boas práticas, seja possível gerar poupança para melhorar a condição de investimentos e a introdução de outras atividades na propriedade, porém, mantendo as lavouras de feijão e milho no sistema produtivo.

Específicos – safra 2019/2020

  • Obter produtividades médias em Unidades Demonstrativas de Feijão superiores a 2.700 kg/ha, com base em uma tecnologia mínima e adequada ao sistema predominante.
  • Obter produtividades médias em Unidades Demonstrativas de Milho superiores a 9.500 kg/ha, com base em uma tecnologia mínima e adequada ao sistema predominante.
  • Obter produtividades médias superiores a 2.300 kg/ha na cultura do Feijão e 8.000 kg/ha na cultura do Milho dos produtores participantes dos grupos de discussão/resultados do projeto.
  • Profissionalizar 50 produtores colaboradores responsáveis pelas unidades demonstrativas da cultura do feijão e 50 da cultura do milho, bem como 2.000 produtores participantes dos grupos de resultados do projeto, com enfoque nas questões tecnológicas, econômicas e de uso de boas práticas de produção.
 
Estratégia de ação – Safra 2019/2020
  • Articular com parcerias.
  • Envolver 06 regiões e 38 municípios do Estado do Paraná, onde o sistema de produção de feijão e milho é considerado importante para as economias locais.
  • Implantar 73 Unidades Demonstrativas de Feijão e 66 de Milho, com área de 1,0 ha cada uma delas, enfocando o uso do plantio direto e de boas práticas de produção.
  • Capacitar 40 técnicos responsáveis pelo acompanhamento das unidades demonstrativas e grupos de agricultores/resultados. Os grupos de resultados são compostos por 15 a 25 agricultores, que possuem interesses e problemas comuns.
  • Usar, além de visitas técnicas nas propriedades, metodologias grupais de assistências aos agricultores, nas diversas fases de desenvolvimento das culturas.

Fig. 01- Mapa: Área de atuação do Projeto Centro-Sul de Feijão e Milho Safra 2019/2020.

Fig. 01

 

Quadro 01: ABRANGÊNCIA – Safra 2019/20 - Regiões, Municípios, Técnicos Responsáveis e Unidades de Feijão e Milho

Quadro 01

 

Grupo Base: Germano do R. F. Kusdra (Implementador -IDR), Vânia Moda Cirino (IDR), Marcos Aurélio Marangon (Embrapa), Antonio Marques Sousa Neto (Implementador - Syngenta), Leonardo Hiroito Cavada (Syngenta), Thiago Romaguera Canto (Syngenta), Leandro José Sperotto (IDR), João de Ribeiro Reis Junior (IDR), Hilário P. Milanesi (IDR), Rubens A. Sieburger Costa (IDR), Pablo Luis Sanches Rodrigues (IDR), Ericson Marx  (Emater), Edivan José Possamai (IDR).

 
Parcerias estratégicas

São vários os parceiros e colaboradores do IDR Paraná que atuam no desenvolvimento do Projeto direta ou indiretamente, como: SYNGENTA, EMBRAPA, IAC, UEL, SEAB, SAF-MAPA, Agricultores, Prefeituras Municipais e outros participantes em diversos momentos e atividades da safra. Institucionalmente são:

  • SYNGENTA participa com o fornecimento de agroquímicos e sementes de milho para a implantação das unidades demonstrativas. Também com recursos para treinamento de técnicos, agricultores, realização de eventos grupais, além do suporte ao projeto com um engenheiro agrônomo assistente técnico..
  • EMBRAPA participa fornecendo sementes de feijão para implantação das unidades demonstrativas e colabora com instrutores para capacitação de técnicos e agricultores e na assessoria técnica ao projeto.
  • IAC participa fornecendo sementes de feijão para implantação das unidades demonstrativas e colabora no suporte e assessoria técnica ao projeto.
  • UEL participa no suporte à instalação, monitoramento, avaliações e ações em manejo integrado de pragas do feijão.
 
Resultados: Unidades demonstrativas – Safra 2018/2019

Os resultados e análise apresentados neste tópico referem-se à safra 2018/2019, pois a safra atual (19/20) ainda está em andamento e os dados em processamento.

A safra 2018/2019 foi muito afetada pelas condições climáticas instáveis, com momentos de alta intensidade de chuvas e outros de veranicos, que prejudicaram o desenvolvimento, produtividade e qualidade dos produtos colhidos, inclusive com frustrações e retornos financeiros negativos de alguns campos trabalhados. Analisando as margens de retorno bruto dos produtores trabalhados,  observamos que esta safra foi melhor para o feijão, que teve preços satisfatórios durante o ciclo, variando de 1,80 até 5,00 reais por quilo, e remuneraram bem os agricultores que tinham produto e conseguiram comercializar no momento mais adequado, fechando um preço médio praticado de 2,90 reais por quilo de feijão e 0,52 reais por quilo do milho. A segunda safra de feijão, plantada a partir de janeiro, teve incremento de área plantada e o desenvolvimento foi relativamente bom, porém as baixas precipitações de abril e o excesso de umidade em maio, período de maturação e colheita dos plantios mais tardios, afetaram a produtividade e a qualidade dos produtos, com maior intensidade de perdas na região sudoeste do Estado.

A média de desembolso, ou custo variável (CV), do feijão no Projeto foi de R$ 95,15/sc, maior comparando à safra 17/18, e a margem bruta (MB) 78,99 R$/sc, também maior. No milho tivemos o custo variável médio de R$ 19,26 R$/sc, maior que na safra anterior 17/18, e a margem bruta média de R$ 11,84 R$/sc, menor do que na safra anterior. Esta análise comparativa confirma remunerações melhores para a cultura do feijão na safra 18/19.

Na sequência os gráficos 01 e 02 ilustram alguns comparativos de produtividade nacional, estadual e nos municípios do início dos trabalhos com o projeto, o quadro 02 reúne dados de margem bruta das áreas trabalhadas nas 03 últimas safras e o quadro 03 ilustra resultados de 04 safras de monitoramento de pragas na cultura do feijão do subprojeto MIP-Feijão (Manejo Integrado de Pragas do Feijão).

Gráfico 01: Resultados cultura do feijão 2018/2019.

Grafico 01

Fonte: IDR, Conab, Deral

* A produtividade média das áreas demonstrativas do Projeto foi 1,35 vezes a média do Estado do Paraná e 2,0 vezes a média nacional.

 

Gráfico 02: Resultados cultura do milho 2018/2019

Gráfico 02: Resultados cultura do milho 2018/2019

Fonte: IDR, CONAB, DERAL

* A produtividade média das áreas demonstrativas do Projeto foi 1,38 vezes a média do Estado do Paraná e 1,54 vezes a média nacional

 

Quadro 02: Margem Bruta das explorações

Quadro 02: Margem Bruta das explorações

 

 

Quadro 03: Resultados de 4 Anos de avaliações em MIP- Feijão.

Safra aguas
Safra aguas

 

 
Melhorias Esperadas
  • Melhor qualidade dos produtos comercializados pelos agricultores.
  • Manejo correto do solo e da água - aumento na adoção do sistema de plantio direto na palha - melhoria da fertilidade e conservação do solo.
  • Manejo correto de agroquímicos - proteção ao meio ambiente, segurança para o produtor e para o consumidor.
  • Aumento da rentabilidade – os produtores podem investir mais na propriedade e no conforto da família.
  • Aspecto social - promoção da permanência do homem na área rural e especialização e melhoria da utilização da mão-de-obra.
  • Abastecimento alimentar da população com o feijão - tradicional alimento da população brasileira, componente da cesta básica.
  • Atividade econômica, ecologicamente sustentável e adequada à agricultura familiar.
  • Maior Valor Bruto de Produção (VBP) das explorações, dinamizando as economias locais.
 
Siglas Utilizadas

FAO: Organização das Nações Unidas para alimentação; CONAB- Companhia Nacional de Abastecimento; MAPA- Ministério da agricultura, Pecuária e Abastecimento; SEAB– Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná; Deral- Departamento de Economia Rural do Estado do Paraná; EMBRAPA– Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária;  IAC- Instituto Agronômico; IDR - Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná IAPAR – EMATER:; SAF– Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo; UEL- Universidade Estadual de Londrina.

 

Germano do R. F. Kusdra 
Eng. Agrônomo - Coordenador Estadual do Projeto - IDR