Boletim agrometeorológico do IDR-Paraná de abril mostra mês seco e situações críticas para algumas culturas
06/05/2021 - 13:04

Nesse mês de abril o Paraná enfrentou uma seca severa. Exceto na região leste, praticamente não choveu durante todo o mês no Estado ou choveu muito pouco. Observa-se que em grande parte do Estado ficou 33 dias sem chuva, incluindo também o final de março (Figura 1a). Com exceção do leste do Paraná, a precipitação registrada no mês de abril não passou de 25 mm (Figura 1b).

 

Mapas


Figura 1. a) Número de dias sem chuva até 30/04/2021. b) Total de precipitação registrada em abril de 2021. Fonte: IDR Paraná.

 

Com relação às temperaturas máximas do mês de abril, observa-se que mesmo sem chuva estas foram notadamente mais amenas que no mês de março, com diferença média de 2,8 ºC nos municípios analisados (Figura 2a). Quanto às temperaturas mínimas, estas ficaram em média 1,3 ºC abaixo da média histórica dos municípios analisados (Figura 2b). Isso ocorreu devido às incursões e permanência de massas de ar frio de intensidades fracas a moderadas, caracterizando um frio precoce no Estado.

 

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Figura 2. a) Média das temperaturas máximas de abril e março de 2021. b) Média das temperaturas mínimas históricas de abril e de abril/2021 em alguns municípios do Paraná.

 

Diante da seca severa ocorrida nesse mês de abril, a situação foi crítica para grande parte da agricultura paranaense.

Milho segunda safra – É a principal cultura do outono no Paraná e seu desenvolvimento foi muito prejudicado pela seca. Estima-se que grande parte das lavouras de milho terá seu potencial produtivo bastante reduzido. O que amenizou um pouco foram as temperaturas mais amenas, que reduziram a evapotranspiração durante o período diurno e provocou a formação de orvalho durante as noites.
Feijão segunda safra – As lavouras de feijão, de modo geral, também foram afetadas pela seca, com sintomas de estresse hídrico e mau desenvolvimento. Há também projeção de grandes perdas produtivas.

Trigo e aveia – Devido à seca, a grande maioria dos agricultores não iniciou a semeadura do trigo e aveia, apesar de muitas regiões estarem dentro do período recomendado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Os triticultores aguardam precipitações significativas e boas condições de umidade no solo para a semeadura.

Mandioca – O solo extremamente seco dificultou a colheita da mandioca, provocando dificuldade e lentidão nessa operação e, consequentemente, aumento de custos, perdas das raízes no solo e redução oferta de matéria prima para as indústrias.

Pecuária – Devido à seca, a umidade do solo foi insuficiente para o desenvolvimento adequado das pastagens. Houve redução na produção de massa verde, dificultando o manejo do gado de corte e de leite, sendo necessária complementação da alimentação com silagem e ração. No entanto, a seca também provocou redução na oferta e na qualidade da silagem. Grande parte das pastagens de inverno (aveia e azevém) não foi implantada devido à seca, e as implantadas não apresentaram bom desenvolvimento. A pecuária de corte e leite também enfrentou o problema de fornecimento de água para o gado, devido à redução do volume de água dos mananciais, como rios, nascentes, riachos e açudes. Diante desse cenário, houve redução na produção de leite e os laticínios registraram quedas na comercialização de leite e queijo.

Silvicultura – Muitos produtores de pinus e erva mate suspenderam os transplantes das mudas e também foi observado perdas de mudas transplantada devido à falta de umidade no solo para um adequado enraizamento das plântulas.

As culturas perenes em produção, como os citros e o café, apresentaram bom desenvolvimento, com boas perspectivas de produção, qualidade e rendimento.

O clima seco de abril favoreceu o término da colheita da soja e milho primeira safra e o início da colheita da cana-de-açúcar.

Dados: Setor de Agrometeorologia do IDR-Paraná