Boletim agrometeorológico do IDR-Paraná de maio mostra insuficiência hídrica, prejudicando a produtividade das culturas 
02/06/2021 - 11:03

Depois da estiagem severa ocorrida em abril de 2021 no Estado do Paraná, exceto no litoral, o mês de maio foi marcado pelo retorno tênue das precipitações e por um evento extremo no final do mês. Houve quatro episódios de chuvas irregulares no Estado, com intensidades e abrangências diferentes, provocadas por passagens rápidas de frentes frias (Tabela 1).

Tabela 1. Data, quantitativo e intensidade dos episódios de precipitações registradas em maio de 2021 no Paraná, nas estações meteorológicas do SIMEPAR, exceto no litoral.

Tabela 1

Fonte: Simepar

Destaca-se o episódio ocorrido no final do mês que provocou precipitações volumosas nas regiões Norte e Noroeste do Estado (Figura 1). As chuvas registradas em maio não foram suficientes para repor a água no solo em muitas regiões do Estado, em especial na região Oeste (Figura 1).

Figura 1

Figura 1. Precipitação registrada em 30/05/2021 e déficit/excesso hídrico do solo em 31/05/2021 no Estado do Paraná. Fonte: IDR-Paraná.

 

Analisando as precipitações ocorridas em maio de 2021 em relação à média histórica, observa-se que na maioria das regiões choveu muito abaixo da média (Figura 2). A região Oeste do Estado foi a mais afetada pelos baixos índices pluviométricos. Somente os municípios de Curitiba, Londrina, Maringá e Cambará e regiões próximas a estes, foram favorecidas com chuva acima da normal climatológica.

Figura 2

Figura 2. Desvios de precipitações registradas em maio de 2021 em relação à média histórica, em alguns municípios do Estado do Paraná. Fonte: Simepar.

 

Com relação às temperaturas, houve o ingresso de uma massa polar no Estado que provocou um forte resfriamento nos dias 24 e 25 (Figura 3). Nesses dias houve episódios de geadas nas localidades mais ao sul do Estado.

Figura 3

Figura 3. Temperaturas mínimas registradas em 24 e 25 de maio de 2021 no Estado do Paraná. Fonte: IDR-Paraná.

 

As chuvas ocorridas em maio amenizaram um pouco as perdas e a condição hídrica crítica das culturas, mas com redução na produtividade, decorrente da estiagem severa ocorrida no mês de abril e da chuva insuficiente no mês de maio.

Milho – Devido ao déficit hídrico do solo, grande parte das lavouras de milho apresentaram porte baixo e vigor vegetativo muito aquém do esperado, com sinais de reduções significativas na produtividade. Além da pouca chuva, as lavouras atingidas por geadas também podem apresentar redução no potencial produtivo, uma vez que muitas estavam na fase suscetível aos danos por geada.

Feijão - O feijão, devido seu ciclo curto, também foi bastante prejudicado pelos baixos índices pluviométricos registrados em maio. As geadas também afetaram lavouras que estavam na fase suscetível aos danos. A perspectiva é que a produtividade seja muito abaixo do esperado. Em algumas localidades já iniciaram a colheita.

Cereais de Inverno - Com o retorno das chuvas, os agricultores realizaram a semeadura do trigo, cevada, aveia e pastagens de inverno, as quais deveriam ter sido efetuadas em abril.

Mandioca – Nos locais que houve pouca precipitação, os produtores de mandioca tiveram dificuldade na colheita e preparo do solo para o plantio da próxima safra. Nas áreas que ocorreram maiores quantitativos de chuva há expectativa de boas produtividades.

Café - Iniciou-se a colheita do café e há perspectivas de boas produtividades. A pouca chuva registrada durante o período de enchimento de grãos acelerou a maturação de muitas cultivares.

Batata - Iniciou-se a colheita da batata e, por ser irrigada na sua grande maioria, há perspectivas de boas produtividades.

Hortaliças - As hortaliças, principalmente folhosas, foram afetadas pelas geadas.

Pastagens - Grande parte das pastagens sofreram com deficiência hídrica e tiveram seu desenvolvimento prejudicado. Em muitos casos houve a necessidade de complementar a alimentação do gado com silagem e ração, aumentando os custos de produção.

Mananciais Hídricos - Os quantitativos de chuva não foram suficientes para recuperação dos volumes de grande parte dos mananciais hídricos, por isso ainda há preocupação com o abastecimento urbano, consumo animal e irrigação agrícola.

Além dos baixos índices pluviométricos, outro agravante para a agricultura foi a má distribuição temporal das chuvas ao longo do mês de maio. Houve episódios de precipitações extremas como os ocorridos em Londrina e Maringá, que choveu 94 e 98,6 mm, respectivamente, em um único dia (30/05), superando a média histórica, mas isso não reverteu os danos causados pela estiagem nas culturas.

Dados: Setor de Agrometeorologia do IDR-Paraná