Encontro de Agroecologia discute uso de bioinsumos 15/05/2026 - 10:57

O IDR-Paraná sediou, na última quarta-feira (13), o 4.º Encontro de Agroecologia, que teve os bioinsumos como tema principal. Cerca de 320 pessoas participaram, entre agricultores, estudantes de colégios agrícolas e do ensino superior e profissionais da área de ciências agrárias da Região Metropolitana de Curitiba e do Litoral.

O evento, promovido pelo IDR-Paraná, por meio do projeto Casa da Agroecologia, aconteceu no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia e na Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná, em Pinhais.

Moacir Darolt, assessor de Agroecologia do IDR-Paraná e gerente do projeto, destacou a importância do tema. Ele observou que o uso de bioinsumos é uma estratégia para uma agricultura mais sustentável, resiliente e alinhada aos desafios atuais de produção. Segundo ele, a programação do encontro foi pensada para gerar reflexões e mostrar, na prática, o uso dessa tecnologia para fortalecer a autonomia produtiva das famílias de agricultores.

Na abertura do evento, participaram representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (AOPA), do Colégio Newton Freire Maia e do IDR-Paraná.

“Os bioinsumos trazem a possibilidade de reduzirmos a dependência externa que temos dos fertilizantes químicos, pois os custos são alterados sempre que acontecem questões como as guerras em países que produzem esses insumos. Uma estratégia é termos uma produção de bioinsumos nacional que possa suprir as necessidades da nossa agricultura e também ser mais agroecológico”, explicou o pesquisador Arnaldo Colozzi, do IDR-Paraná.

Durante o encontro Celso Tomita, consultor em bioinsumos, mircrobiologia e controle biológico, falou a respeito da produção “on farm”, capacitação e aplicação de bioinsumos no campo. Uma mesa redonda reuniu pesquisadores e produtores para discutirem experiências práticas com bioinsumos, além dos desafios e oportunidades para a agricultura familiar

Oficinas

A tarde foi composta por nove oficinas que exploraram diferentes práticas utilizando bioinsumos: Multiplicação “on farm”; Biodigestor; Microalgas; Controle biológico de pragas; Biofertilizantes líquidos (biofertilizantes, ácido lático, chá de húmus e bokashi); Compostagem – CompostBio (composto enriquecido com microrganismos); Minhocultura e produção de húmus; Microrganismos benéficos e óleos essenciais; e Caldas e bioinsumos.

A agricultora Carmencita de Souza, de Bocaiúva do Sul, veio ao evento em busca de conhecimentos para ampliar a produção de alimentos orgânicos e participou das oficinas de “on farm”, microalgas, biofertilizantes líquidos e minhocário. Ela destacou que foi possível aproximar os ensinamentos das oficinas à sua realidade: “No minhocário eu achei interessante porque a gente vai usar o esterco da vaca, que é uma matéria que temos disponível e não sabíamos como fazer. Eu vim em busca desse conhecimento e encontrei”, contou a agricultora que voltou para casa cheia de ideias.

Minicurso Bioinsumos

Alguns participantes puderam ainda participar de um minicurso ministrado por Celso Tomita. O consultor aprofundou o conteúdo apresentado na palestra, falando sobre o método TMT, que foca na produção de bioinsumos e biofertilizantes diretamente na lavoura, promovendo a regeneração microbiológica do solo e a sustentabilidade no campo. Participaram técnicos do IDR-Paraná, do Programa Paraná Mais Orgânico – Núcleo de Curitiba e agricultores.

Ícaro Petter foi um dos extensionistas participantes do minicurso, ele também levou outros cinco agricultores para participar da atividade. “O curso foi muito proveitoso. Existem momentos na vida que recebemos uma ‘injeção’ de ânimo e conhecimento e esse foi um deles. Nos faz pensar, mudar conceitos e repensar nosso cotidiano de serviço de ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural), para aplicar imediatamente o que foi repassado no nosso cotidiano aqui na RMC”, afirmou.

Além da parceria com o Colégio Newton Freire Maia, o 4.º Encontro de Agroecologia contou com a colaboração da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da empresa Ambiente Livre e com o apoio das Centrais de Abastecimento do Paraná (CEASA).