IDR-Paraná debate com provedores alternativas para ampliar acesso à internet no meio rural 21/01/2026 - 09:31
A RedeTelesul – Associação dos Provedores de Internet do Paraná – apresentou ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) os resultados alcançados na região de Marialva com a expansão da conectividade no meio rural. A experiência do município se destaca no cenário estadual: atualmente, cerca de 98% da área rural de Marialva é atendida por internet via fibra óptica ou rádio, resultado da articulação entre empresa provedora local e poder público.
Durante a reunião, foi detalhado como a ampliação da cobertura tem contribuído para a inclusão digital, o acesso a serviços públicos, educação, informação e o fortalecimento das atividades produtivas no campo. O encontro também abriu espaço para discutir os principais gargalos enfrentados pelos provedores para levar internet de qualidade às áreas rurais, especialmente os altos custos de infraestrutura.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, ressalta que a ampliação da conectividade no meio rural vai além do acesso à internet, sendo uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do campo. “Levar conectividade de qualidade ao meio rural é essencial para garantir desenvolvimento, inclusão e oportunidades, especialmente para os jovens, criando condições para que o produtor rural permaneça no campo com acesso à tecnologia, à informação e a novas formas de gerar renda e qualidade de vida”, afirma.
De acordo com os representantes da RedeTelesul, o fornecimento de internet no meio rural é significativamente mais oneroso do que na área urbana. Isso ocorre porque há poucos usuários espalhados por grandes distâncias, o que dificulta a diluição dos custos. Um dos principais entraves apontados é o valor cobrado pelo uso de postes, pago pelos operadores às concessionárias de energia, o que encarece ainda mais a expansão das redes.
O custo de locação de postes para a expansão das redes de fibra ótica significa o segundo custo de uma empresa provedora, só perdendo para os custos com mais de 200 pessoas empregadas, para este caso da empresa provedora visitada em Marialva. O impacto dos custos dos postes na viabilização da infraestrutura rural para a conectividade inviabiliza os investimentos necessários. Comparativamente para o caso de Marialva, onde 73% dos clientes são urbanos e demandam 60 km de rede utilizada para a extensão de linhas, representando 40% de todos os postes alocados. Na área rural, que representa 27% dos clientes, há 432 km de redes – 7 vezes mais que a área urbana - e 60% dos postes alocados. Com isto, o custo rural passa a ser 4,18 vezes o custo urbano com postes.
Como alternativa, a associação defendeu a construção de uma política pública que permita, em parceria entre estado e municípios, a implantação de uma rede própria de postes, criando uma estrutura paralela que facilite a expansão da conectividade para o campo. A proposta prioriza regiões com forte presença da agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária, comunidades quilombolas e povos indígenas, onde o acesso à internet é fundamental para o desenvolvimento social e econômico.
Além das linhas tradicionais de crédito rural, foi sugerida também a possibilidade de o Estado equalizar taxas de juros para investimentos em infraestrutura de conectividade, tornando os projetos mais viáveis para os pequenos e médios provedores regionais.
Representantes do IDR-Paraná, Geraldo Lacerda e o coordenador do Programa de Energias Renováveis e conectividade rural – Programa Paraná Conectado, Herlon Goelzer de Almeida, que participaram da reunião, destacaram que existe a possibilidade de iniciar estudos para avaliar como o Estado pode contribuir de forma mais efetiva para a ampliação da internet no meio rural, especialmente por meio de políticas públicas integradas com prefeituras e outras instituições.
Os dados apresentados reforçam a dimensão do desafio no Paraná. O estado conta atualmente com 338 assentamentos fundiários, que abrigam 17.392 famílias em cerca de 430 mil hectares de terra, conforme dados da Superintendência Estadual do Incra. Além disso, são 12.377 indígenas distribuídos em 22 aldeamentos e 6.805 pessoas em 39 comunidades quilombolas, públicos que demandam ações específicas para garantir o acesso à conectividade.
Participaram da reunião a prefeita de Marialva, Flávia Cheroni da Silva Brita; o presidente da RedeTelesul, Marcelo Siena; o vice-presidente da entidade, Helton Alessandro Dorl, da HJ Telecom de Santa Tereza do Oeste; Afonso Siena, diretor da iSuper Telecom de Marialva; Evandro Alves Cangirana, chefe de gabinete da Prefeitura de Marialva; além de representantes do IDR-Paraná.
A RedeTelesul é uma entidade que representa pequenas e médias empresas provedoras de internet no Paraná, atuando como um ecossistema voltado ao crescimento, à inovação e ao fortalecimento do mercado local de conectividade. A associação desenvolve ações de representação institucional, capacitação profissional, promoção de eventos como o iBusiness, incentivo à inclusão digital e articulação de parcerias estratégicas com grandes empresas de tecnologia e telecomunicações.
Para a entidade, a experiência de Marialva demonstra que, com articulação institucional e políticas públicas adequadas, é possível avançar de forma consistente na inclusão digital do meio rural, garantindo que a conectividade chegue a quem mais precisa e se torne um vetor de desenvolvimento para todo o estado.






