Mudas livres de vírus podem dobrar produtividade de batata-doce no estado 21/01/2026 - 15:26

Uma ação do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) pode dobrar a produtividade dos cultivos de batata-doce do estado. Os extensionistas estão instalando telados nas principais regiões produtoras do tubérculo para a produção de mudas livres de vírus. O trabalho é feito em parceria com a Embrapa Hortaliças, além de cooperativas e um colégio agrícola. O objetivo é renovar o material genético usado pelos produtores, além de aumentar o rendimento dos produtores que lidam com a cultura. O Paraná é o Oitavo produtor nacional de batata doce, com produção de 57.732 toneladas conforme levantamento de 2024 com um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 116,6 milhões.

De acordo com João Reis, assessor estadual de Olericultura do IDR-Paraná, a virose é uma das causas mais frequentes da redução da produtividade das lavouras e consequente perda na remuneração dos agricultores. “Num primeiro momento a produção de mudas livres de vírus deve aumentar a produtividade em 50%, mas o potencial é que as lavouras com esse material e um bom manejo dobrem o volume de tubérculos por área. Atualmente os cultivos de batata-doce do estado produzem, em média, entre 18 e 20 toneladas/ha. Com esse trabalho queremos chegar a 40 toneladas/ha”, explicou Reis.

O IDR-Paraná implantou cinco telados nas principais regiões produtoras do estado: Francisco Beltrão, Umuarama, Londrina, Cornélio Procópio e Apucarana. São estufas de 100 metros quadrados, protegidas por telas que impedem a entrada de insetos. As mudas, originárias de Brasília foram doadas pela Embrapa Hortaliças, com sede na Capital Federal, e repassadas pelo seu Centro de pesquisa instalado em Canoinhas/SC. Todos os telados estão sendo implantados com a participação de algumas organizações de agricultores familiares para que eles tenham acesso ao material produzido.

Em Apucarana o trabalho vem sendo feito com o Colégio Agrícola Manoel Ribas. De acordo com Felipe de Freitas, extensionista do IDR-Paraná que acompanha o projeto, as mudas recebidas são plantadas inicialmente em tubetes e depois passam para o canteiro na estufa onde são enraizadas. O telado da instituição é um pouco menor, 63 metros quadrados.

Quatro variedades estão sendo multiplicadas, duas da Embrapa, uma do IDR-Paraná e uma do IAC (Instituto Agronômico de Campinas). São materiais que têm polpa clara e casca roxa, características procuradas pelos consumidores, com um grande potencial comercial. Tão logo as mudas estejam prontas, serão repassadas para os telados distribuídos no estado.

Em março os extensionistas do IDR-Paraná de cada região vão passar por um treinamento para que dominem o processo de produção de mudas. A intenção é que, até o fim deste ano, as mudas cheguem aos produtores. De acordo com João Reis, o material deverá ter um custo, porém será um valor bem abaixo do praticado no mercado. Além do menor preço, o agricultor tem a certeza de que o material adquirido não tem vírus.  Reis informou que outros quatro telados devem ser construídos no estado e a meta é distribuir mais de 100 mil mudas, por ano, aos produtores.

A batata-doce tem um ciclo que vai de 120 a 180 dias, dependendo da época em que é plantada, primavera/verão ou outono/inverno. A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) concentra a maior área no estado, 855 hectares e uma produção de 15.458 toneladas. Em seguida estão Londrina (599  ha e 10.679 t), Francisco Beltrão (290  ha/7.580 t), Cascavel (210 ha, 4.492 t), União da Vitória (173 ha, 1.883 t) e Umuarama (74 ha, 1.510 t).