Orquidário de bambu é inaugurado no Complexo Médico Penal do Paraná, em Pinhais 23/04/2026 - 10:40
Na última quarta-feira (22), foi inaugurado o Orquidário Tistu, no Complexo Médico Penal do Paraná (CMP), em Pinhais. O projeto, a estrutura e as bancadas para as plantas foram elaborados pelo técnico do IDR-Paraná, e mestre bambuzeiro, Nailton de Lima, em parceria com a Pastoral Carcerária. O espaço, com 24 metros quadrados, será utilizado para o cultivo de orquídeas pelos internos da unidade. “Um pouco do que a gente quer aqui é exercitar paciência, a esperança, a paz”, enfatizou a coordenadora da pastoral, Flávia Nichele. Ela explica que a ideia surgiu a partir da necessidade observada, especialmente entre os internos idosos. A iniciativa recebeu apoio do Fundo Diocesano de Solidariedade da Arquidiocese, dentro da Campanha da Fraternidade de 2025, que tem a Ecologia como tema.
Durante o desenvolvimento do projeto, a equipe da Pastoral Carcerária participou de uma oficina sobre manejo do bambu, na Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná, que fica próxima ao CMP. A colheita do bambu utilizado na estrutura foi realizada na Fazenda Canguiri, reunindo o técnico, integrantes da pastoral e internos da unidade. Alguns apenados também auxiliaram na construção das estruturas, o que proporcionou maior imersão no uso do bambu, desde a origem do material até a montagem do orquidário. O projeto também contou com doações de mudas, utensílios e fertilizantes. A proposta é dar continuidade às atividades por meio de workshops abertos à participação de voluntários e parceiros interessados em compartilhar conhecimentos.
Para Nailton, a iniciativa carrega um simbolismo que vai além da estrutura física. “Tudo isso que está acontecendo aqui é graças ao bambu. O bambu tem essa filosofia de unir as pessoas. Você não vê um bambu sozinho, ele sempre está no coletivo, em touceira ou alastrante. A vivência dele traz o espírito da coletividade”.
O diretor do CMP, Renê Maciel Fernandes, destacou que a ação integra um conjunto de iniciativas voltadas à qualificação dos internos e à preparação para o retorno à sociedade. Segundo ele, desde 2024 o Complexo passou por uma reestruturação de perfil, deixando de funcionar como unidade psiquiátrica e passando a receber, gradativamente, internos idosos e com perfil considerado mais adequado à convivência coletiva. Nesse contexto, projetos como o Orquidário contribuem para oferecer oportunidades de aprendizado, ocupação produtiva e desenvolvimento de habilidades. “A intenção é tentar melhorar a qualificação dos presos para que eles voltem para a sociedade melhores do que entraram”, concluiu Fernandes








