Pesquisa aponta caminhos para a colheita mecanizada da mandioca 03/07/2026 - 12:18

A colheita é um dos principais desafios da cultura da mandioca. A escassez de mão de obra, a elevada penosidade do trabalho e o custo da operação comprometem a competitividade do setor, especialmente no segmento destinado à indústria de fécula e farinha. Nos últimos anos, diversas tentativas de mecanizar integralmente a operação chegaram ao mercado, mas não conseguiram se consolidar.

Pesquisadores do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater), da Embrapa e da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) realizaram uma ampla avaliação técnica da colhedora Maná-Inroda, única máquina disponível comercialmente no país capaz de executar todas as etapas da colheita.

Mais do que avaliar a máquina, o trabalho buscou responder às dúvidas que há anos preocupam produtores e técnicos. Os resultados acabam de ser publicados no informe Desempenho técnico da colhedora de mandioca Maná-Inroda na colheita de mandioca para indústria.

As perguntas dos mandiocultores foram levadas à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, conforme explica o pesquisador do IDR-Paraná Hevandro Colonhese Delalibera, um dos autores da publicação e responsável pela condução dos experimentos.

"O receio era repetir a experiência de máquinas anteriores, que chegaram ao mercado, apresentaram muitos problemas e acabaram retiradas de circulação. Nosso objetivo foi produzir informações técnicas confiáveis para verificar em quais condições essa tecnologia realmente funciona e pode ser utilizada", relata Delalibera.

A remuneração da mão de obra empregada na colheita pode representar entre 15% e 30% do custo total de produção, segundo o informe. Esse cenário ajuda a explicar por que a mecanização passou a ser considerada uma necessidade para a cadeia produtiva. "A tendência é que a mecanização da colheita ganhe espaço à medida que se intensificam as dificuldades para contratar mão de obra”, ele avalia.

A equipe conduziu experimentos durante dois anos em áreas comerciais de produtores de Paranavaí, na região Noroeste do Paraná. Foram avaliadas sete cultivares de mandioca industrial, em primeiro e segundo ciclos da cultura, com presença ou ausência de plantas daninhas, diferentes alturas de poda e velocidades de operação da máquina.

Os ensaios também contemplaram condições bastante severas de umidade do solo, simulando situações críticas para o desempenho do equipamento.

Perdas

Na colheita semimecanizada, predominante nas lavouras destinadas à indústria, a poda e o afofamento do solo são feitos com máquinas, mas o arranquio das plantas, a separação das raízes e o carregamento continuam dependendo de trabalho manual — atividades que exigem intenso esforço físico e são consideradas entre as mais penosas do meio rural. "A ideia é mecanizar justamente essas etapas", explica Delalibera.

O principal resultado do estudo foi a constatação de que as perdas não recuperáveis da colheita mecanizada foram estatisticamente equivalentes às registradas na colheita semimecanizada.

Na prática, isso significa que a nova tecnologia não provoca perdas superiores às já observadas no sistema tradicional de colheita. "Verificamos que a máquina apresenta praticamente a mesma quantidade de perdas não recuperáveis da colheita semimecanizada. Esse era o ponto mais importante da pesquisa, porque respondia ao maior receio dos produtores", aponta o pesquisador.

A avaliação também mostrou que parte das perdas consideradas recuperáveis pode ser minimizada por meio de boas práticas de manejo e da escolha de cultivares mais adaptadas à mecanização.

Planejamento

A publicação também alerta que a mecanização a colheita não depende apenas da aquisição da colhedora. O sucesso da operação começa ainda na implantação da lavoura.

O informe reúne recomendações sobre planejamento operacional, preparo da área, paralelismo das linhas de plantio, controle de plantas daninhas, qualidade da poda e regulagem do subsolador.

Também apresenta orientações sobre velocidade de operação, características das cultivares mais adaptadas à mecanização e outros aspectos que podem auxiliar produtores e técnicos na tomada de decisão.

Juntamente com Delalibera, assinam a autoria da obra os pesquisadores Anderson de Toledo, também do IDR-Paraná; Rudiney Ringenberg e Daniel Portioli Sampaio, da Embrapa; e Emerson Fey, da Unioeste.

O informe técnico Desempenho técnico da colhedora de mandioca Maná-Inroda na colheita de mandioca para indústria está disponível gratuitamente para download no portal do IDR-Paraná, aba publicações.