Pesquisadores participam de livro a respeito dos solos do litoral 08/06/2026 - 11:47
A professora Andressa Kerecz, da Universidade Federal do Paraná/Campus Matinhos e o pesquisador Renato Yagi, da Estação de Pesquisa do IDR-Paraná-Ponta Grossa, elaboraram um capítulo a respeito dos solos do litoral paranaense para o livro “Litoral do Paraná-Território e Perspectivas”, da editora Ilustração. A publicação traz à tona um justo reconhecimento oficial à pesquisa científica oficial do Estado. O livro reúne uma série de artigos que analisam as relações entre a sociedade e o patrimônio natural do litoral do Paraná. A obra combina conhecimento científico e realidades locais, explorando eixos como a gestão ambiental, a ocupação histórica e o potencial sustentável da costa paranaense. Trata-se do oitavo volume de uma série dedicada a investigar as dinâmicas regionais, sob a organização de pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial Sustentável (PPGDTS) da UFPR – Setor Litoral.
No capítulo escrito pelos pesquisadores foram levantadas as classes de solos da região litorânea, relacionando-as às culturas de maior expressão econômica regional. Também foram apontados os impedimentos físicos e químicos desses solos, com ênfase nas condições socio-econômicas locais, indicando convenientemente práticas agroecológicas e orgânicas para a produção agrícola sustentável dos produtores familiares da região litorânea do Paraná.
Pupunha
Um dos temas analisados no livro é a cultura da pupunha, segunda mais importante em termos de valor bruto de produção (VBP) no litoral paranaense, só ficando atrás do cultivo de banana. A cultura da pupunha foi trazida pela pesquisadora aposentada do IAPAR, Nancy Morsbach, em 1984 quando as primeiras 100 mudas foram adquiridas no INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e plantadas na Estação Experimental do IAPAR, em Morretes. O objetivo àquela época era avaliar alternativas mais sustentáveis para a extração de palmitos juçara e real.
Desde então, a cultura da pupunha se tornou uma importante alternativa para produtores familiares do Paraná e de Santa Catarina em suas costas litorâneas. A palmeira, importada da Amazônia, reduziu sobremaneira o tempo para colheita de palmitos, trazendo maior sustentabilidade para a agricultura familiar da costa litorânea paranaense.
No capítulo escrito pelos pesquisadores da UFPR e IDR-Paraná, eles mostram que as áreas ocupadas pelo palmito pupunha e aquelas cultivadas com banana, representam 75% do VBP regional, e são constituídas por cambissolos (solos minerais em estágio inicial de formação, solos jovens), com altos teores de alumínio e silte, elementos identificados como restritivos aos cultivos.
Com o livro, os pesquisadores pretendem não apenas diagnosticar os problemas, mas também propor soluções para o desenvolvimento de um litoral paranaense mais equilibrado e inclusivo. A publicação tem como organizadores: Luiz Augusto Macedo Mestre, Juliana Quadros, Roberto Eduardo Bueno e Ariane Maria Basilio Pigosso. Mais detalhes podem ser conferidos na publicação disponível para download gratuito
https://editorailustracao.com.br/media/pdfs/567/cGy3onW2LQDG.pdf



