Plantio de milho safrinha demanda planejamento e precaução, alerta IDR-Paraná
22/12/2022 - 10:08

 

Decisão de plantio exige atenção à escolha de cultivares e à época de semeadura

A segunda safra de milho é muito expressiva no Paraná — em 2022, por exemplo, mais de 80% do cereal colhido no Estado veio da chamada safrinha. Mesmo com tamanha importância, é um cultivo considerado de risco pelos especialistas.

Cuidado imprescindível na segunda safra de milho é fazer a semeadura logo no início da época prevista no Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) para cada região. “O plantio tardio diminui o potencial produtivo e alonga o ciclo, o que aumenta o risco de perdas com geadas”, aponta o extensionista Edivan José Possamai, coordenador estadual do projeto Grãos Sustentáveis do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná — Iapar-Emater)

Ocorre que em algumas regiões do Estado a semeadura da soja atrasou devido a eventos climáticas, e isso deve “empurrar” também a implantação das lavouras da safrinha de milho. Com tal situação, Possamai aconselha aos produtores considerar o alto risco e avaliar até a possibilidade de escolher outra cultura de inverno — como trigo, centeio, triticale e aveia granífera — ou mesmo investir na melhoria da qualidade geral do solo com o uso de plantas de cobertura.

CULTIVARES — O pesquisador Rodolfo Bianco ressalta a importância de escolher criteriosamente a cultivar e sempre usar sementes tratadas. São cuidados que têm a ver não apenas com a produtividade potencial, mas também com o manejo de doenças e pragas ao longo do ciclo da cultura.

Ele também recomenda escolher cultivares de estabelecimento rápido no terreno, estratégia para enfrentar os percevejos. “O simples fato de a planta crescer e engrossar o colmo rapidamente diminui bastante os danos, e a lavoura produz mesmo sofrendo ataques da praga”, assinala Bianco.

Outro cuidado fundamental, de acordo com o pesquisador, é observar que a cultivar seja tolerante à cigarrinha, inseto que atua como vetor do complexo do enfezamento, doença que pode causar grandes perdas à cultura.

Ainda com relação ao enfezamento, a pesquisadora Michele Silva recomenda que o produtor faça frequentes vistorias na lavoura até o estágio V8 — cerca de 40 dias, dependendo do híbrido semeado — e, se houver necessidade de diminuir a população de cigarrinha, aplicações alternadamente inseticidas químicos e biológicos (à base de boveria, tricoderma ou isaria), de acordo com a pesquisadora Michele Silva.

“Inseticidas biológicos devem ser aplicados em condição de alta umidade do ar (mais de 55%) e temperatura amena, ao redor de 30°C”, frisa a pesquisadora. “Também é importante usar diferentes princípios ativos para evitar a seleção de pragas resistentes e preservar seus inimigos naturais”, ela ensina.

O pesquisador Adriano Custódio lembra ainda que o planejamento do plantio e manejo da lavoura deve prever a adubação equilibrada, com aplicação de fertilizantes e corretivos na quantidade certa e posterior cobertura com nitrogênio.

“É importante que o produtor sempre busque orientação dos profissionais da assistência técnica para conduzir de forma regionalizada um programa integrado de produção de milho considerando as boas práticas de campo em sistemas integrados de cultivos”, ele conclui.