Programa de Irrigação Sustentável entra em nova fase com aquisição de torres de fluxo 22/05/2026 - 13:22
O programa IrrigaSIM, coordenado pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) deu um novo passo nesta quinta-feira (21), com a aquisição de cinco torres de fluxo que serão instaladas em áreas do Noroeste do Paraná.
Uma torre de fluxo mede continuamente a troca de gases (como vapor d'água e dióxido de carbono) e calor entre a vegetação e a atmosfera, permitindo calcular com precisão a evapotranspiração real da lavoura (transferência de água da superfície da Terra para a atmosfera em forma de vapor). O investimento para aquisição das torres vem de um recurso de mais de R$ 10 milhões da Fundação Araucária, também viabilizado pelo IDR- Paraná .
Richard Golba, diretor de Gestão de Negócios do IDR-PR, destacou o trabalho que foi realizado na criação da Lei de Segurança Hídrica, feito em parceria entre várias instituições, e que também embasa as ações do IrrigaSIM. “Nossa expertise é fazer alianças e buscar parcerias. Tudo foi fruto de muito debate, muito estudo, e vale destacar que esta é uma legítima iniciativa do nosso governador Ratinho Junior, que tem cobrado insistentemente para que isso vá a campo”, ressalta.
Início
O projeto iniciou em 2024 envolvendo ainda a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Paraná. A Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial também passou a fazer parte do projeto. Estudos e visitas técnicas já foram realizados na região Noroeste do Paraná que, de acordo com o Simepar, é a região paranaense que mais sofre com a seca. A estiagem da safra 2021/2022 resultou em uma redução drástica da produção de soja. Entre 2000 e 2021, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o principal evento climático causador de perda na agricultura foi a seca.
“No Paraná, mais de 40% do PIB é do agronegócio. Mais de 14% de grãos produzidos no Brasil saem do Estado do Paraná. Então é muito importante a irrigação sustentável, porque a água é nosso bem maior e que precisa ser bem utilizado, bem aplicado, para trazer resultados satisfatórios e propícios não só à produção, mas para a sustentabilidade do nosso estado”, afirma Coronel Puchetti, chefe do Centro Estadual de Desburocratização da Casa Civil, que atuou na governança da integração entre os órgãos públicos para viabilizar o projeto.
“Esse trabalho é resultado de dois anos de pesquisa, de aprimoramento e estreitamento institucional para que o Paraná seja inovador em matéria de irrigação. Não só o estudo que vem sendo feito, o resultado desse projeto também será a formação de pessoas capacitadas para conduzirem esse processo de irrigação no estado do Paraná”, ressalta Paulo de Tarso, diretor presidente do Simepar.
Etapas
Os estudos realizarão a classificação agroclimática do Paraná identificando mais áreas aptas à irrigação de grãos como soja, milho e feijão. O trabalho é realizado por quatorze pesquisadores do Simepar. Assim que as cinco torres de fluxo forem instaladas e calibradas, começarão a coletar dados micrometeorológicos reais no campo. Com isso, será possível modelar variáveis hidrológicas em programas de computador, como a espacialização da evapotranspiração, ajuste do coeficiente de cultura e medição da infiltração do solo.
Os modelos determinarão as melhores taxas de irrigação por diferentes métodos, e também será possível obter, via imagens de drones, o fluxo de carbono, mensurar o carbono no solo e medir o fluxo de gases de efeito estufa, comparando e validando com os dados das torres de fluxo. A integração entre os dados ambientais, hidrológicos, e de balanço de carbono será feita em uma plataforma de Inteligência Artificial, que dará suporte à tomada de decisão no manejo irrigado. Todo esse trabalho otimiza o uso da água e do solo, mitiga emissões de Gases de Efeito Estufa e promove a sustentabilidade agrícola no estado.
Cinco áreas serão acompanhadas durante o plantio em outubro/novembro - colheita março/ abril; cultura março/abril - colheita julho/agosto; e cultura julho/agosto - colheita outubro/novembro. Os indicadores apontam que o resultado dos estudos são de redução estimada de até 30% no consumo de água na agricultura.
“Já tivemos várias reuniões técnicas para a discussão dos passos, e agora que o projeto oficialmente está lançado e o orçamento disponível, podemos seguir o cronograma, com a compra das torres e modelagem do uso de água e evapotranspiração”, explica Christofer Neale, diretor do Water For Food, instituto do Nebrasca que orienta o projeto, e de onde veio a inspiração para todo o trabalho.
Implantação
A parceria com a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial será indispensável para a elaboração do sistema que irá administrar os dados coletados durante o projeto. “Esse projeto foi concebido dentro da vontade do governador Ratinho Júnior para trazer ao Paraná uma segurança em campo com relação à água para que a produção agrícola e a potencialidade estado forte na agricultura ela continuem sendo fortes. E naturalmente, dentro desses cenários, a gente sabe que existe todo um campo de apoio por trás das coisas, e a inteligência artificial é um fator hoje preponderante”, ressalta Marcos Stamm, secretário de Inovação e Inteligência Artificial. Também participaram da reunião desta quinta-feira (21) o professor João Carlos Bespalhok Filho da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que capacita alunos para atuarem no projeto, assim como Raul Alberto Marcon, coordenador de Gestão de Recursos Hídricos na Sanepar, que acompanha a implantação de cada etapa do estudo.






