Programa no Paraná fortalece pecuária leiteira e aumenta rentabilidade dos produtores 28/01/2026 - 11:16
Solo, clima e água formam o tripé que sustenta a qualidade das pastagens – e a partir desse princípio pecuaristas do Paraná aumentaram significativamente a produção de leite em suas propriedades. Isso é resultado do trabalho feito pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) por meio da parceria no Programa Ação Integra do Solo e Água (Aisa), da Itaipu Binacional. O programa já atende mais de mil produtores por ano.
Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, os resultados refletem o potencial do Estado. “Aqui no Paraná nós temos o melhor solo, a melhor água e a melhor pastagem, consequentemente nós temos a melhor proteína animal. E com as ações que temos feito, isso tudo é potencializado e gera mais renda para o produtor rural”, ressalta.
Um dos casos de sucesso é o do sítio São Sebastião, em Goioerê, de agricultura familiar. Pai e filho tocam sozinhos a propriedade, que conta com 16 vacas em lactação, e com a assistência técnica do IDR-Paraná conseguiu mais do que o dobro em volume de leite e rentabilidade. “A produção que era de 125 litros de leite por dia, na média de 12 meses entre 2021 e 2022, saltou para 268 litros diários em 2024 e 2025, e atualmente alcança cerca de 300 litros por dia”, aponta o técnico do IDR-Paraná, Salvador Sarto. Ele também relata que a receita mensal da propriedade saltou de R$ 10.929,00 para R$ 22.140,00 – o que deixou Benedito Teodoro da Silva e seu filho Ricardo bastante satisfeitos.
Benedito trabalha com produção de leite desde os 10 anos de idade e conta que toda sua vida esteve ligado à atividade agropecuária. “Moro aqui há 52 anos e sempre trabalhei com produção de leite, soja e milho. O Salvador, nosso técnico do IDR, tem sido um apoio importante para todos os projetos que a gente faz”, afirma o produtor.
Seu filho, Ricardo, também destaca os desafios desse setor. “A produção de leite não é uma atividade fácil, tem imprevistos e dificuldades relacionados ao clima e à nutrição. O técnico do IDR ajudou bastante, trouxe planilhas com controle de produção e despesas, e orientou a gente a fazer um manejo diferente. No começo estávamos um pouco perdidos, mas já existia uma relação de confiança, então, a gente seguiu a orientação do técnico e deu tudo certo”, destaca.
Outro bom exemplo vem do extremo Oeste do Paraná, no município de Pato Bragado, onde o produtor Sérgio Paulo Marshnier trabalha com a produção de leite desde 1990. Sérgio não têm empregados e tudo é feito por ele e mais três pessoas: a esposa, o filho e a nora. Com acompanhamento do técnico do IDR-Paraná, Adilson Winter, a família ingressou no programa em 2021 e o volume de leite teve um incremento de 72,23%.
“Todas as orientações do técnico facilitaram nosso trabalho, porque agora a gente tem mais informação sobre como fazer um manejo correto e como cuidar melhor do pasto e da nutrição dos animais. O Adilson falou sobre o programa, fez uma análise da propriedade e orientou o que precisava ser feito”, contou Sérgio. Entre as medidas implantadas estava a criação adequada de bezerras e novilhas; balanceamento da dieta dos animais; adubação e correção do solo; uso de dejetos de suínos, aves e bovinos para melhorar a qualidade da terra; plantas de cobertura para ajudar a infiltração e retenção de água no solo.
Antes da assistência técnica, a produção era de 440 litros de leite por dia e, atualmente, o volume chega a 763 litros diários, citou Adilson. “A receita mensal da propriedade também aumentou, passando de R$ 5.138,00 para R$ 7.165,00, demonstrando os ganhos de eficiência mesmo em uma propriedade de pequeno porte como aqui”, observou o técnico do IDR-Paraná.
PARCERIA - O programa Aisa atua há cerca de cinco anos, em parceria com o IDR-Paraná, investigando o comportamento da água no solo, os impactos das práticas agrícolas na qualidade dos rios e a relação entre uso da terra e produção hídrica. A iniciativa abrange 228 municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul, que integram a área do reservatório de Itaipu, e reúne um amplo banco de dados sobre solo, clima, vegetação, hidrologia e produção agropecuária.
Com base nessas informações, o IDR-Paraná ajuda os produtores a alcançarem maior eficiência produtiva e rentabilidade, promovendo mudanças estruturais nas propriedades rurais. “São orientações que parecem simples, mas que fazem toda a diferença no dia a dia do produtor e nos resultados finais”, reforça Simony Lugão, coordenadora de Pesquisa do IDR-Paraná, envolvida no projeto, ao lado do coordenador da Extensão, Rafael Piovezan.
A evolução da pecuária leiteira paranaense reforça a importância desse trabalho. Em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná contava com cerca de 114 mil propriedades produtoras de leite e registrou crescimento de 10% na produção, alcançando 1 bilhão de litros apenas no primeiro trimestre, mantendo-se como o segundo maior produtor do país. Estudos do IDR-Paraná mostram que a assistência técnica é decisiva para ampliar a eficiência, especialmente entre pequenos e médios produtores, que representam a maioria das propriedades desse setor no Estado.
Além do IDR-Paraná, o programa Aisa, da Itaipu Binacional, conta com a parceria da Embrapa, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). Em quatro anos, foram R$ 25,94 milhões investidos em 17 projetos voltados ao fortalecimento da sustentabilidade e da produtividade no campo.














