Projeto diminui custos de queijarias assistidas pelo IDR-Paraná 27/02/2026 - 13:38

O Paraná está se firmando como um importante produtor de queijos. São inúmeras as queijarias que conquistaram premiações estaduais, nacionais e alguns queijos paranaenses foram até premiados fora do Brasil. Para o sucesso dessas agroindústrias, é fundamental que o leite usado na fabricação dos queijos tenha qualidade, o que exige exames constantes da matéria prima. Um projeto-piloto implementado pelo IDR-Paraná e Associação Paranaenses dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) está diminuindo os custos dessas análises para o produtor, facilitando a realização dos exames. Doze agroindústrias da Região Metropolitana de Curitiba já estão sendo beneficiadas pela iniciativa.

Janete do Rocio Fila Gadomski é proprietária da queijaria Bom Paladar, de Araucária. Ela já foi premiada no Concurso Queijo Paraná, em 2023, e Queijo Brasil, no ano seguinte. Para Janete, um fator decisivo para esse resultado foi a participação em cursos oferecidos pelo projeto Queijarias de Araucária, promovido pela Secretaria Municipal da Agricultura em parceria com o IDR-Paraná, além da orientação dos extensionistas do Instituto. Ela fabrica queijos frescos, maturados e doce de leite. Para ela, o projeto é importante para assegurar a qualidade do queijo que produz. “É um trabalho muito bom porque assim a gente tem uma estabilidade maior da qualidade do leite. Quando está tudo em ordem, a gente sabe que as coisas caminham bem. E leite bom, queijo melhor ainda”, ressalta a produtora.

BAIXO CUSTO - A coleta das amostras de leite nos tanques, ou latões, é feita mensalmente pelos extensionistas do IDR-Paraná que também encaminham o material para os laboratórios. Com os dados das análises eles orientam os queijeiros a respeito da rotina na agroindústria e o que pode ser feito para aumentar a qualidade do leite. “A Instrução Normativa 76, por exemplo, estabelece uma média de contagem de células somáticas do leite no tanque. Quando essa contagem está muito alta pode indicar um maior índice de mastite no rebanho. Isso vai causar menor produção e maior descarte do leite, além de custos com a compra de medicação. Fazendo esse controle – de células somáticas e contagem bacteriana- o produtor consegue acompanhar e melhorar a qualidade do leite. Melhorando o leite, ele melhora também a produção da queijaria”, explicou Renata Lessa, extensionista que acompanha a Queijaria Bom Paladar. 

O projeto Agroindústria, Sanidade Agropecuária e Bovinocultura Leiteira do IDR-Paraná e APCRH inclui ainda a análise dos parâmetros de composição do leite (gordura, proteína, lactose e sólidos gordurosos).  O produtor paga R$150 para cada grupo de dez amostras analisadas. A economia é significativa, pois somente a análise do teor de gordura do leite tem um custo entre R$ 30 e R$100, por amostra.

Para Renata Lessa, o projeto é uma oportunidade vantajosa e estratégica para qualificar a produção das agroindústrias familiares paranaenses, com menor custo, maior controle sanitário e, consequentemente, uma produção de queijos com mais qualidade. Ela lembra que todos esses exames realizados por meio do projeto, atendem a uma exigência legal dos Sistemas de Inspeção e são necessários para as agroindústrias atuarem no mercado. A iniciativa é um projeto-piloto implantado na Região Metropolitana de Curitiba, mas produtores de queijo de outras regiões do estado podem procurar o técnico do IDR-Paraná do seu município para fazer um cadastro e iniciar a coleta das amostras.