Resistentes e rentáveis: Estado lança cultivares de milho e mandioca no Show Rural 12/02/2026 - 11:54
O Governo do Paraná, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), lançou nesta quinta-feira (12) novos cultivares de mandioca e milho durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel. As novas variedades foram desenvolvidas para enfrentar desafios sanitários no campo, elevar a produtividade e ampliar a rentabilidade do produtor, com foco na industrialização e no fortalecimento das cadeias agroindustriais do Estado.
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, ressaltou a tradição do Estado em apresentar inovações no evento. “Dificilmente tem um Show Rural que não tenha o lançamento de uma variedade de mandioca, um cultivar de milho. O Paraná, por meio do nosso IDR, faz um trabalho muito forte com pesquisa. Mais uma vez estamos lançando produtos interessantes nessa feira, que é uma grande vitrine de oportunidades e tendências do Paraná para todo o Brasil”, ressaltou.
O diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, destacou que os lançamentos reforçam o papel estratégico da pesquisa pública para manter a competitividade da agricultura paranaense. “O nosso compromisso é entregar ao produtor soluções concretas, que aumentem a produtividade e tragam mais segurança diante dos desafios do campo. Esses materiais são resultado de pesquisa aplicada e chegam para fortalecer a renda e a agroindústria do Paraná”, afirmou.
Na cultura da mandioca, o IDR-Paraná apresentou três novos materiais voltados à indústria: IPR Clara, IPR Quartzo e IPR Topázio. As variedades foram desenvolvidas para produção de farinha, fécula e outros derivados, com alto teor de amido (entre 550 e 600 gramas), e desempenho superior aos materiais já disponíveis no mercado.
O assistente técnico do IDR-Paraná em Paranavaí, Renan Thiago Lunas, explica que os novos cultivares passaram por testes comparativos antes do lançamento. “Todos os materiais lançados são testados com as melhores variedades que já estão em campo. Para serem lançados, eles já apresentam um potencial superior. São materiais de excelente qualidade e mais uma opção para o produtor melhorar a produtividade”, afirmou.
Além da qualidade industrial, o diferencial está no ganho produtivo. Segundo Lunas, a expectativa é de aumento médio de 30% na produtividade, o que pode representar até 30 toneladas a mais por hectare. “São variedades que também apresentam diferentes níveis de tolerância a pragas e doenças, o que ajuda o produtor a diversificar a lavoura e reduzir riscos”, destacou.
Cada cultivar tem características específicas. A IPR Clara possui raízes mais claras e porte médio de arbusto, sendo indicada para solos arenosos. A IPR Quartzo apresenta estrutura mais robusta e é mais adaptada a solos argilosos. Já a IPR Topázio tem porte mais baixo e ereto, também recomendada para áreas arenosas. Por apresentarem alto teor de ácido cianídrico, são destinados exclusivamente à indústria e não ao consumo in natura.
MILHO - Na área do milho, o destaque foi o lançamento do milho branco, o híbrido simples IPR W225, desenvolvido para enfrentar o complexo de enfezamento, doença associada ao ataque da cigarrinha. O novo material substituirá gradualmente o IPR 127, que estava há mais de uma década no mercado, mas se mostrou suscetível ao problema.
O coordenador da Estação de Pesquisa de Santa Helena do IDR-Paraná, Dionathan William Lujan, explica que o novo cultivar reúne tolerância à doença e maior teto produtivo. “O IPR W225 foi desenvolvido para superar os desafios do complexo de enfezamento. Ele apresenta tolerância ao problema e potencial produtivo superior ao IPR 127, que será descontinuado assim que tivermos volume suficiente para comercialização”, detalhou.
O grão branco é outro diferencial. Voltado à industrialização, o milho é indicado para produção de farinha, amido, fubá e canjica. “É um material com alto rendimento para a indústria e pode trazer uma rentabilidade muito boa. Enquanto o milho amarelo é comercializado em torno de 50 a 55 reais a saca, o milho branco para industrialização pode chegar a 120 ou 130 reais a saca de 60 quilos. Ele agrega mais valor à produção”, destacou Lujan.
O pesquisador explica que o desenvolvimento da cultivar faz parte de um trabalho contínuo de melhoramento genético. “Essa cultivar já estava em desenvolvimento antes mesmo do problema se agravar. Com o avanço do complexo de enfezamento, o foco foi direcionado para buscar soluções. Hoje, além do controle químico e biológico, a genética é uma das principais ferramentas para enfrentar a doença”, pontuou.
As sementes do IPR W225 já começam a ser multiplicadas por parceiros credenciados do IDR-Paraná e devem estar disponíveis para a próxima safra, a partir de setembro.
HOMENAGEM – Durante o lançamento das cultivares, o secretário de Agricultura e Abastecimento, Márcio Nunes, prestou homenagem à pesquisadora do IDR-Paraná Vânia Cirino pelo Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado na última quarta-feira (11). Expoente nacional na área da agronomia, Vânia ocupa a cadeira 68 da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA), que reúne cientistas brasileiros com destacada atuação nesse campo do conhecimento científico.
No IDR-Paraná, a pesquisadora é responsável técnica pelo desenvolvimento de mais de 38 cultivares de feijão, que contribuíram para aumentar a produção e a renda de pequenas propriedades rurais, reforçar a segurança alimentar da população e tornar o Paraná líder nacional na produção do produto, com mais de 450 mil hectares por safra, equivalente a 750 mil toneladas do produto.






























