Cultivos Florestais

 

 

 

 

 

O Paraná tem uma área florestal plantada de 1,3 milhões de hectares e um consumo anual de 51 milhões de metros cúbicos de madeira. O negócio representa 7,03% do valor bruto da produção estadual e gera 300 mil postos de trabalho,

A madeira representa o terceiro produto de exportação do agronegócio paranaense e, embora tenha área e clima extremamente favoráveis à produção, apresenta um déficit anual de 47 mil hectares.

A introdução do componente florestal nos sistemas típicos de produção do Estado tem proporcionado incremento de produtividade agropecuária, madeira de alta qualidade, melhoria ambiental, proteção contra adversidades climáticas, manutenção e recuperação de recursos naturais, além de incrementos significativos na renda das propriedades rurais.

O Instituto Emater desenvolve o Projeto Madeira, em todo o Estado, com força de trabalho de 102 técnicos, atendendo 8.800 agricultores em uma área de 56.000 hectares, orientando cultivos de Eucalipito, Pinus, Grevilea, Bracatinga, Seringueira e Araucária.

O Desenvolvimento Sustentável não poderá ser alcançado se for buscado de uma forma parcial. A base está na integração e interação dos componentes pecuário, agrícola e florestal, todos de maneira a contemplar as questões pertinentes à mitigação de seus impactos no meio ambiente, o uso adequado do solo e a conservação da água. A contribuição da floresta produtiva neste sentido é inegável.

 
Projeto Erva-mate

A erva-mate é o principal produto florestal não madeireiro do estado do Paraná, sendo importante fonte de renda para mais de 37 mil propriedades rurais de todo o Estado. No passado, a extração de erva-mate do sub-bosque da Floresta Ombrófila Mista permitiu a emancipação política do Estado do Paraná, sendo responsável por grande parte da riqueza gerada pelo estado. Tamanha importância pode ser vista pelo reconhecimento da erva-mate como símbolo do Estado do Paraná, estando presente na bandeira do Estado, juntamente com o pinheiro, sua espécie companheira.

Segundo dados da SEAB/DERAL, a erva-mate respondia em 2013 por 5% das receitas dos produtos florestais do Paraná, o que representava cerca de R$ 213 milhões em valor bruto de produção. No ano de 2018, essa proporção aumentou para 14%, somando aproximadamente R$ 590 milhões em valor bruto de produção. A produção de erva-mate está presente em 145 municípios do Estado, com concentração na região Centro-Sul (núcleos regionais de União da Vitória, Irati e Guarapuava), que respondem por 82% do VBP da erva-mate no Paraná.

Resumo Executivo do Projeto

 
Contextualização

O sistema de produção da erva-mate paranaense sombreada tem reconhecida importância econômica, social e ecológica. Se historicamente a prosperidade decorrente da exploração da erva-mate foi responsável pela emancipação política do Estado do Paraná, atualmente ela gera empregos e renda ao longo de toda sua cadeia produtiva. Além disso, possibilita a conservação da fisionomia florestal nativa, pois a maior parte da produção paranaense é proveniente de ervais nativos ou sombreados, onde a erva-mate é manejada associada às outras espécies florestais naturais, como a Araucaria angustifolia e a imbuia (Ocotea porosa), com baixo impacto sobre o ambiente.

A erva-mate é o principal produto florestal não madeireiro do estado, sendo de grande contribuição na renda de mais de 37 mil propriedades rurais do Paraná. Segundo dados da SEAB/DERAL, em 2013 a erva-mate representava 5% das receitas dos produtos florestais do Paraná (R$213,2 milhões), aumentando para 14% em 2018 (R$589,7 milhões). A produção de erva-mate está presente em 145 municípios do Estado, com concentração na região Centro-sul, correspondendo aos Núcleos Regionais de União da Vitória, Irati e Guarapuava, que respondem por 82% do Valor Bruto Produzido da erva-mate no Estado.

Após quase cinco séculos de contribuição do setor ervateiro à economia do Estado, o sistema de cultivo da erva-mate do Paraná é reconhecido por produzir erva-mate de qualidade, sendo comercializada internamente e para outros estados e países. No Estado do Paraná, há 111 indústrias ervateiras que processam a erva-mate sombreada. Além das indústrias paranaenses, diversas indústrias gaúchas e catarinenses processam nossa erva-mate.

O maior consumidor de erva-mate no Brasil é o Rio Grande do Sul, que importa do Paraná 50% da erva-mate consumida pelo Estado. As inovações em formas de consumo e nos modelos de promoção do produto representam uma nova diretriz mercadológica, focada na abertura de novos mercados consumidores e novos produtos à base de erva-mate.

No estado do Paraná, as ações do projeto erva-mate são realizadas por 36 técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural – IAPAR-EMATER, em mais de 37 mil propriedades rurais. Esse time de técnicos assiste mais de 390 agricultores de forma intensiva e pelo menos outros 800 produtores de erva mate em Boas Práticas de Manejo dos ervais sombreados.

 
Objetivos

Objetivo geral

O projeto erva-mate visa promover o desenvolvimento e a sustentabilidade da erva-mate Paranaense, com ações voltadas à ATER, Boas Práticas de Manejo dos ervais, qualidade da matéria-prima, organização da cadeia produtiva e divulgação/publicidade do produto final. Para isso, busca-se organizar e estruturar as unidades de produção quanto aos aspectos social, produtivo e ambiental, considerando o arranjo produtivo local, a qualidade e diversificação de produção e de renda.

Objetivos específicos

  • Executar atividades de ATER para instalação de Unidades de Referência (UR’s) e utilização em ações de difusão da Extensão Rural, direcionadas ao manejo de sistemas agroflorestais visando a produção de erva-mate sombreada, com qualidade superior e sustentabilidade certificada, aumentando a renda dos produtores mediante o uso de tecnologias adequadas e busca de mercados alternativos.
  • Desenvolver pesquisas direcionadas à difusão e geração de tecnologias sustentáveis e adequadas ao manejo da erva-mate sombreada, visando a sustentabilidade da produção, aumento de produtividade, utilização de novos materiais genéticos e produtos alternativos.
  • Organizar produtores para produção e comercialização diferenciada de produto erva-mate com qualidade, visando fortalecer a cadeia produtiva da erva-mate em nível municipal, buscando otimizar a produtividade e rentabilidade pelo manejo de áreas com ervais sombreados.
  • Estimular a parceria entre a indústria e produtores para oferta de matéria-prima de qualidade e comercialização em preços diferenciados e novos mercados.
  • Mobilizar os produtores rurais quanto ao associativismo e cooperativismo;
  • Proporcionar condições ambientais adequadas à erva-mate sombreada e garantir a conservação de solos e água.
  • Proporcionar a preservação de áreas florestais remanescentes, promovendo a adequação ambiental das propriedades rurais.
  • Viabilizar e intensificar a utilização de acesso ao crédito rural específico, para que os produtores possam investir nos seus ervais.
  • Capacitar técnicos, viveiristas e produtores rurais na melhoria do manejo das   diversas etapas cadeia produtiva da erva-mate.
     
 
Abrangência

No estado do Paraná, as ações de ATER estão sendo desenvolvidas por 36 técnicos nos municípios onde há produtores de erva-mate, assistindo 390 agricultores de forma intensiva e atendendo pelo menos outros 800 produtores de erva mate em Boas Práticas de Manejo dos ervais sombreados.

Quadro 1 - Municípios do Paraná com ação no projeto Erva-mate.
Região Municípios
Curitiba Campina Grande do Sul, Lapa, Rio Branco do Sul e Rio Negro
Guarapuava Guarapuava; Prudentópolis, Pinhão, Turvo e Reserva do Iguaçu
Irati Irati, Imbituva, Inácio Martins, Fernandes Pinheiro, Guamiranga, Mallet, Rebouças, Rio Azul e Teixeira Soares
Ivaiporã Boa Ventura de São Roque, Pitanga e Santa Maria do Oeste
Pato Branco Clevelândia, Coronel Domingos Soares e Palmas
Ponta Grossa Ivaí, São João do Triunfo e Reserva
União da Vitória Antônio Olinto, Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Paula Freitas, Paulo Frontin, Porto Vitória, São Mateus do Sul e União da Vitória

 

No total, os técnicos do time erva-mate acompanham Unidades de Referência em Boas Práticas de Manejo do ervais sombreados, com um público total de mais de 2.500 produtores assistidos, os quais 200 mil mudas de qualidade plantadas em enriquecimento de ervais em aproximadamente 8 mil hectares orientados em manejo e colheita. Serão realizados mais de 110 eventos grupais para a capacitação de 7500 produtores rurais, além do acompanhamento e assistência técnica sobre certificação para 80 produtores certificados para a exportação.

 
Ações Prioritárias

O projeto erva-mate se propõe a desenvolver ações prioritárias em três eixos:

  • Ambiental: sistema agroflorestal mais rentável do Brasil, sendo proposto o trabalho com ervais sombreados em áreas ainda com cobertura florestal nas propriedades rurais;
  • Social: a área de erva-mate está concentrada em propriedades da agricultura familiar, conferindo baixo êxodo rural e alta sucessão familiar quando comparado a outros sistemas de produção.
  • Econômico: quando bem manejados, os ervais são mais rentáveis que a maioria das culturas anuais; isso tudo sem desmatamento ou emissão de carbono e geralmente utilizando áreas com baixo potencial de aprove.

A execução dessas ações, quando realizadas dentro de critérios técnicos, permitirão manter e/ou incrementar a produtividade da erva-mate em sistemas produtivos agroflorestais nas propriedades da agricultura familiar, embasado na garantia de geração de renda, fornecimento de matéria-prima para a cadeia produtiva, promoção do bem-estar da família rural e sustentabilidade sócio-econômico-ambiental nos municípios onde a atividade ervateira é relevante (região da Floresta Ombrófila Mista).

Como cenário futuro frente à ação do projeto, espera-se estimular o ambiente produtivo, com relação à qualidade e eficácia, com aumento de renda para produtores e indústrias em médio e longo prazo. Além disso, é esperado que sejam superados os gargalos tecnológicos e alcançar economias de escala coletivas em médio prazo, bem como o fortalecimento da sinergia entre os integrantes da cadeia produtiva no curto prazo. O aumento da competitividade dos produtos das propriedades rurais e setor industrial é visado no longo prazo.

Para isso, são pontos convergentes e necessários à sustentabilidade das propriedades:

  • Consolidação dos municípios-polo na produção da erva-mate;
  • Sustentabilidade de produção da matéria-prima aliada à agregação de valor à erva-mate;
  • Fortalecimento dos elos entre todos os setores da cadeia produtiva da erva-mate; 
  • Estruturação das parcerias entre produtor e a indústria, buscando a produção de matéria-prima de boa qualidade para a indústria.
     
 
Parcerias Estratágicas