Boletim do Deral aponta efeitos das chuvas sobre trigo e destaca avanço nas exportações de frango 15/10/2026 - 08:43
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (15) o Boletim Conjuntural semanal, que aponta o impacto das chuvas intensas, sob influência do El Niño, no ritmo dos trabalhos de campo e na qualidade das lavouras. O documento destaca, por outro lado, o desempenho das exportações de carne de frango e de mel e o ganho de produtividade na pecuária leiteira.
“O que já observamos é que as chuvas trouxeram um prejuízo mais relevante para o trigo e para as demais culturas de inverno. As culturas que estão sendo implantadas agora ainda estão dentro do calendário e há chance de que, com a regularização das chuvas, a situação se normalize. Já vínhamos observando esse recuo no trigo e, para as próximas culturas, o monitoramento será mantido”, afirma Hugo Winckler Godinho, Coordenador da Divisão de Conjuntura do DERAL.
TRIGO - A atualização do relatório de condições de tempo e cultivo rebaixou novamente a avaliação das lavouras de trigo. Na área de 182 mil hectares ainda pendente de colheita, 12% das lavouras estão classificadas como ruins, 42% como médias e 46% como boas. Na estimativa de 21 de setembro, que projetava queda de 10% na produtividade, os índices eram de 7%, 29% e 64%, respectivamente, com 392 mil hectares a colher.
A colheita em 210 mil hectares ocorreu nas últimas semanas sob chuvas frequentes, o que comprometeu a qualidade do grão inclusive em lavouras de médio e alto potencial. A previsão meteorológica indica manutenção das chuvas, com janelas pontuais de tempo firme que podem permitir avanço da colheita, ainda que dificilmente em condições ideais. A reestimativa de safra, programada para 29 de outubro, deve confirmar redução ainda maior na produção de inverno.
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Os preços do trigo subiram 5% em setembro, em reação à menor disponibilidade interna, e ficaram estáveis na primeira quinzena de outubro. Apesar da pressão baixista do câmbio e das cotações internacionais, a escassez de trigo de alta qualidade sustenta as cotações no curto prazo.
SOJA E MILHO - O plantio da safra 2026/27 de soja atingiu 39% da área prevista, de pouco mais de 5,7 milhões de hectares, percentual igual ao do mesmo período da safra anterior. A semeadura começou em ritmo superior à média histórica, em parte pela preocupação dos produtores com o El Niño, estratégia que se mostrou acertada diante do volume de chuvas de outubro, que em algumas cidades já superou a média histórica do mês inteiro. A continuidade dos trabalhos, contudo, depende da regularização das chuvas. No milho, o plantio alcançou 90% dos 371 mil hectares previstos.
BATATA - O excesso de umidade atrasou a semeadura da primeira safra 2026/27 de batata, com 67% da área estimada plantada (10,8 mil dos 16,2 mil hectares), contra média histórica de 83% para o período. A previsão inicial é de colheita de 539,6 mil toneladas, redução de 11% em relação às 566,2 mil toneladas de 2025. A produtividade projetada é de 33,3 toneladas por hectare, ante 33,6 t/ha no ano anterior.
Na entressafra, com menor oferta, o preço da batata lisa no varejo chegou a R$ 7,01 por quilo em setembro, alta de 69,1% sobre agosto (R$ 4,15/kg). No atacado, a saca de 25 quilos foi negociada a R$ 130,14, aumento de 60,1%. As previsões indicam período chuvoso até meados de dezembro.
FRANGO: EXPORTAÇÕES EM ALTA - As exportações brasileiras de carne de frango somaram 3,815 milhões de toneladas de janeiro a agosto de 2026, avanço de 16,5% sobre o mesmo período de 2025, com receita de US$ 7,543 bilhões (+22,8%). O preço médio subiu 5,7%, para US$ 1.977,14 por tonelada.
O Paraná manteve a liderança nacional, com 1.604.954 toneladas embarcadas (+20,4%) e receita cambial de US$ 3,017 bilhões (+23,5%). O preço médio obtido foi de US$ 1.879,71 por tonelada, 3,6% acima do registrado no ano anterior. Somente em agosto, o Estado embarcou 200.585 toneladas (+26,4%), com receita de US$ 390,96 milhões (+47,4%). Do total exportado pelo Paraná, 89,4% corresponderam a carne in natura.
Entre os destinos do produto brasileiro, a China liderou as compras no período, com 379.757 toneladas (+67,7%) e US$ 1,043 bilhão (+92,6%), seguida pelo Japão, com 322.232 toneladas (+18,8%).
MEL - As exportações brasileiras de mel in natura somaram 25.077 toneladas entre janeiro e agosto, retração de 3,2% em volume. A receita cambial, no entanto, cresceu 2,8%, para US$ 88,688 milhões, sustentada pela alta de 6,2% no preço médio, que chegou a US$ 3.536,62 por tonelada.
O Paraná ocupa a terceira posição nacional, com 3.509 toneladas e US$ 12,401 milhões em receita. O preço médio do mel paranaense, de US$ 3.533,94 por tonelada, representa valorização de 7,4%, embora o volume e a receita estejam abaixo dos registrados em igual período de 2025 (-25,3% e -19,8%, respectivamente).
Entre os mercados, o Canadá ampliou em 59,3% o volume adquirido, e a Alemanha, em 249,4%. Em 28 de setembro, a Comissão Europeia divulgou relatório de auditoria técnica atestando a conformidade dos controles sanitários na apicultura e na avicultura brasileiras. O documento abre caminho para o fim da exclusão do Brasil da lista de fornecedores de produtos de origem animal ao bloco, cuja liberação formal depende de votação do comitê regulador europeu nos dias 20 e 21 de outubro.








