Casa da Agroecologia apresenta resultados e prepara avanços para 2026 14/01/2026 - 16:47

O Projeto Casa da Agroecologia segue atuando fortemente na integração entre ensino, pesquisa e extensão. Criado em 2023 e sediado na Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná, em Pinhais, o projeto desenvolve visitas técnicas, cursos, atividades formativas e ações externas voltadas a agricultores familiares, estudantes, técnicos, professores, grupos sociais e consumidores.

Em 2025, mais de 1.600 pessoas visitaram a Estação de Pesquisa em Agroecologia e mais de 350 pessoas estiveram envolvidas em atividades externas promovidas ou apoiadas pelo projeto, conforme os dados do balanço anual.

De acordo com o gerente do projeto, o engenheiro agrônomo Moacir Roberto Darolt, atuar simultaneamente com públicos diversos é estratégico. “Quando trabalhamos com agricultores familiares, jovens de colégios agrícolas, estudantes universitários, escolas de ensino fundamental, grupos em situação de vulnerabilidade social e consumidores, possibilitamos que cada grupo se torne um agente multiplicador da agroecologia e da produção orgânica em seu espaço social”, destaca.

Segundo Darolt, a avaliação das atividades realizadas ao longo do ano permite identificar o que funcionou bem, o que precisa ser aprimorado e quais demandas emergiram, contribuindo para o planejamento da segunda fase do projeto, que se inicia em 2026.

Entre os principais destaques de 2025 estão a realização do 2º Dia de Campo de Agroecologia para Estudantes, do 3º Encontro Mesorregional de Agroecologia para Agricultores e do 3º Encontro de Consumidores e Produtores do projeto Cestas Solidárias. As atividades reuniram públicos diversos e reforçaram o papel da Casa da Agroecologia como espaço de troca de saberes e difusão de práticas sustentáveis.

Qualificação para a agricultura familiar: As experiências desenvolvidas na Estação de Pesquisa em Agroecologia incentivam a adoção de práticas agroecológicas mesmo em propriedades que ainda operam em modelo convencional. “Por meio de treinamentos, oficinas, intercâmbios e vitrines tecnológicas, a Casa oferece acesso a tecnologias sociais, práticas agroecológicas e estratégias de diversificação produtiva que aumentam a autonomia e reduzem custos”, afirma Darolt.

Durante as visitas, os participantes têm contato com diversas atividades desenvolvidas na fazenda experimental, como manejo de abelhas sem ferrão, bovinocultura de leite, bioconstruções, cultivo e propagação de bambu, fruticultura de clima temperado e produção de frutas vermelhas. Em 2025, novos experimentos também foram iniciados, como o cultivo orgânico de batata, o consórcio entre araucárias enxertadas e erva-mate e a ampliação do setor de bioinsumos.

A agricultora Viviane Rosolen, de Rolândia, no norte do Paraná, participou do curso de propagação e plantio de bambu realizado em outubro. “A gente tem bastante interesse na parte do orgânico e em aproveitar o que já existe na propriedade. Temos três tipos de bambu e viemos aprender como manejar e utilizar melhor esse material. Descobrir que existem bambus nativos, conhecer os diferentes métodos de propagação e ver tudo isso na prática foi muito importante. A didática e a prática são excelentes”, relata. Ela também destacou a possibilidade de levar mudas para a propriedade, ampliando o potencial de multiplicação do conhecimento na região.

As ações do projeto contribuem ainda para a formação de futuros profissionais que atuarão junto aos agricultores familiares. A estudante de Medicina Veterinária, Bárbara Kornin, foi uma das participantes das visitas técnicas em 2025. “Acho muito interessante o emprego dessas técnicas facilmente replicáveis, que encorajam interações naturais positivas entre a produção e o ambiente em que ela é desenvolvida”, comenta. Durante a visita, Bárbara conheceu a farmácia de fitoterápicos para animais e as culturas de microrganismos eficientes para uso no solo e no manejo animal.

Na pesquisa de satisfação realizada com agricultores em 2025, 90% afirmaram aplicar, total ou parcialmente, os conhecimentos adquiridos na Casa da Agroecologia em suas propriedades. Entre os principais resultados percebidos estão o aumento da produtividade, a redução de custos e o uso mais eficiente dos recursos disponíveis.

Ações além da Estação: Além das atividades realizadas na Estação de Pesquisa em Agroecologia, a Casa da Agroecologia também está presente em eventos externos, como a Jornada de Agroecologia, congressos, reuniões com pautas ambientais e de produção orgânica, apoio a aulas em propriedades rurais e visitas educativas com crianças.

Uma das iniciativas que amplia o alcance do projeto é o Cestas Solidárias, que busca formar núcleos de consumo de alimentos orgânicos abastecidos diretamente por famílias agricultoras, contribuindo para a organização da produção, o fortalecimento da agricultura familiar e a superação de gargalos na comercialização de alimentos orgânicos.

Os resultados alcançados em 2025 também permitiram consolidar parcerias estratégicas com universidades, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), colégios agrícolas e diversas organizações de agricultores, ampliando a articulação institucional e fortalecendo a atuação conjunta na região. 

O Projeto Casa da Agroecologia entra na fase 2026–2028 com foco no fortalecimento da pesquisa, da extensão e da inovação em agroecologia, priorizando o desenvolvimento de bioinsumos, sistemas produtivos regenerativos e soluções adaptadas à agricultura familiar. A nova etapa prevê a ampliação das redes de cooperação, o apoio às cooperativas, aos circuitos curtos de comercialização e ao acesso aos mercados institucionais, como PAA, PNAE e Compra Direta. Também contempla o fortalecimento das políticas públicas de apoio à transição agroecológica, com incentivo à certificação por meio do Programa Paraná Mais Orgânico, ampliação da atuação da ATER em produção orgânica e agroecologia, além de investimentos em capacitação de agricultores, técnicos e público urbano e em ações de educação ambiental voltadas à agroecologia.