IDR-Paraná promove capacitação estratégica em terraceamento e conservação de solos 06/05/2026 - 16:29

Em uma ação estratégica realizada em abril deste ano, o Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná) promoveu um treinamento especializado em terraceamento agrícola e conservação de solos no município de Ibiporã, no Norte do Estado. O encontro técnico reuniu 22 extensionistas de diversas regiões do Paraná com o objetivo de aprimorar a análise precisa de solo e o diagnóstico para a correta implantação de terraços em propriedades rurais.

A iniciativa faz parte de um esforço conjunto entre IDR-Paraná, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Sanepar e Instituto Água e Terra (IAT) para retomar o terraceamento como uma meta de governo. A técnica é considerada essencial para o manejo sustentável e contribui para as metas do Programa de Segurança Hídrica (PSH). O PSH é uma iniciativa do Governo do Estado, com apoio do Banco Mundial, para enfrentar os riscos relacionados à água, agravados pelas mudanças climáticas.

“O controle hídrico é fundamental tanto para garantir a produtividade agrícola quanto para assegurar o abastecimento de água para toda a sociedade. A retomada desta prática, que é antiga, vem de longa data, é um passo crucial para as metas de segurança hídrica no meio rural”, aponta Edivan José Possamai, engenheiro agrônomo do IDR-Paraná e assessor estadual do PSH.

Possamai destaca que o terraceamento é uma prática complementar de manejo da água no ambiente agrícola. A água retida mais tempo dentro do sistema contribui para a produtividade, evita o assoreamento e vai se refletir na conservação dos mananciais de captação para abastecimento público. “Nesse sentido, a gente vem retomando essa prática no Paraná, a partir do entendimento dessa necessidade junto ao produtor rural, mostrando que o terraço contribuiu significativamente com a conservação do solo e também reduz o impacto ambiental”, completa.

Durante a capacitação, os técnicos focaram na compreensão do comportamento da água no solo, utilizando ferramentas como o infiltrômetro de Cornell para avaliar a taxa de absorção. Esse equipamento portátil foi desenvolvido para simular as chuvas e analisar como o solo se comporta ao absorver a água, incluindo a sua estabilidade.

Segundo o engenheiro agrônomo do IDR-Paraná, Celso Daniel Seratto, essa avaliação é necessária para evoluir com o sistema de manejo. “Essa é uma medida indireta da qualidade estrutural. Eu consigo avaliar se a qualidade do manejo adotado pelo produtor está adequado ou não e dar diretrizes a serem seguidas para solução de problemas. E esse manejo envolve também o terraceamento, que seria um primeiro passo dentro de um conjunto de medidas a serem adotadas”, explica Seratto.

O terraceamento consiste na construção de plataformas em terrenos inclinados, criando uma espécie de degrau que diminui a velocidade da enxurrada e reduz a erosão. O solo pode ser manejado utilizando um trator. De acordo com o técnico do IDR-Paraná, José Francirlei de Oliveira, o uso dessas estruturas mecânicas de conservação é uma resposta necessária aos períodos climáticos críticos.

“Principalmente em eventos extremos de chuvas. O sistema acaba impedindo algum estrago, alguma degradação que aconteceria se o terraço não estivesse ali. No treinamento destacamos como analisar quais tipos de terraceamento são adequados. Dependendo da singularidade de cada terreno, eles podem ser de infiltração ou em nível, ou em gradiente ou em desnível. Vai depender do manejo necessário”, exemplifica Oliveira.

O treinamento deve ser replicado em outras regionais do Paraná, com adaptações técnicas que respeitem as particularidades geológicas de cada localidade, como o arenito do Noroeste e os solos de sedimento do Centro-Sul. “Em Ibiporã, demos o passo inicial com esse primeiro treinamento. O objetivo é replicar pelo Estado. Com esse fortalecimento do conhecimento técnico, buscamos garantir a preservação do nosso patrimônio rural e a sustentabilidade da produção agrícola a longo prazo”, projeta Edivan Possamai.