No Dia do Professor, docentes visitam a Estação de Pesquisa em Agroecologia do IDR-Paraná 16/10/2026 - 10:40

O Dia do Professor, comemorado na última quinta-feira (15), foi marcado por uma visita de professores da rede municipal de ensino de Araucária à Estação de Pesquisa em Agroecologia (CPRA) do IDR-Paraná, em Pinhais. O grupo, formado por docentes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, conheceu práticas agroecológicas e discutiu possibilidades de levar esses conhecimentos para o cotidiano escolar.

No laboratório de pós-colheita, os participantes conheceram o processo de produção de farinhas de frutas, como amora, framboesa, mirtilo, kiwi e banana, obtidas por meio da secagem em estufa e posterior trituração. Os produtos podem ser incorporados a diferentes receitas e ampliar as possibilidades de uso das frutas na alimentação escolar. “Dentro da agricultura, vinculado à educação, tem muito esse debate de pensarmos na diversidade nutricional das crianças. Iniciativas como essa podem aumentar o fornecimento de frutas às escolas”, explicou a agroecóloga e bolsista do IDR-Paraná Clayre Lisot.

A programação também incluiu visitas ao meliponário, à produção de leite orgânico e ao minhocário, onde os professores receberam orientações sobre compostagem. "A compostagem é uma oportunidade de conectar o ser humano a um dos seus papéis ecológicos perante a natureza. Somos excelentes dispersores de sementes, reprodutores de espécies e cultivadores – e fazemos isso de maneira racional. Quanto mais avançamos na sociedade moderna, mais nos distanciamos desses papéis. Levar a compostagem, a agrofloresta e a agroecologia para a educação é um modo de mostrar que podemos assumir esses papéis e que a trajetória do ser humano não precisa deixar uma trilha de lixo e devastação. Podemos ser agentes de regeneração”, enfatizou Clayre.

Para a professora Lizmara de Oliveira, que atua em um clube de ciências, a experiência trouxe conhecimentos práticos que poderão ser aplicados em atividades sobre reciclagem e destinação de resíduos com os estudantes. “Tem tudo a ver com o trabalho que eu faço com as crianças e é um espaço a ser visitado também por elas. Sempre falo que não existe ‘fora do planeta’: o lixo jogado não desaparece. Me deu embasamento para eu poder falar sobre isso de maneira mais simples, prática e educativa”, contou.

A professora Jessica Jhonson, que atua na Educação do Campo, explicou que conhecer as práticas desenvolvidas na Estação de Pesquisa ajuda a aproximar esses conhecimentos dos alunos. “Às vezes, esses estudantes só moram no campo, mas as famílias trabalham na cidade, e o manejo diário do campo eles não têm. A escola do campo tem como missão estar inserida no contexto do campo, então precisamos entender para ver o que conseguimos aplicar na prática, como o manejo com abelhas, o minhocário e a compostagem”, explicou.

Segundo a assessora pedagógica Vanessa Cordeiro, que organizou o grupo, a visita buscou fortalecer a relação entre agroecologia e educação e incentivar a retomada de iniciativas nas escolas municipais. “O grupo de estudos de Educação do Campo tem uma caminhada junto com a agroecologia. Esse momento foi feito antes da pandemia, e queríamos reintroduzir o momento agroecológico nas unidades do município”, finalizou.